quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Os venezuelanos MERECEM – nós também.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
MENSAGEM AOS LEITORES - DE VOLTA AO FRONT VIRTUAL - REBECCA SANTORO E CHRISTINA FONTENELLE
MENSAGEM AOS LEITORES - DE VOLTA AO FRONT VIRTUAL - REBECCA SANTORO E CHRISTINA FONTENELLE
Rio de Janeiro - Quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Estive, logo depois da mudança residencial de cidade, no início do ano, fazendo um curso , de agosto a novembro deste ano de 2009, na Escola Superior de Guerra – lugar que hoje, infelizmente, devo confessar, posso descrever, na minha opinião, como território de liberdades parlatórias cerceadas, como vigiado, e como onde já exista, digamos, uma indesejável grande quantidade de gente, ou condescendente com, ou sem coragem para mudar, a atual situação corrupto-caótica, esquerdopata e xenófoba anti-americanista em que se encontra nosso país - esta última, especificamente, provocada por pessoas que ainda não foram capazes de separar o povo norte-americano republicano e seus verdadeiros representantes no Congresso e no Governo, das mega-organizações internacionalistas, e, é lógico, de seus representantes, tanto republicanos como democratas, no Congresso e no Governo dos EUA.
Agradeço a todos que a mim me escreveram, durante o tempo em que estive ausente da rede; a todos que perseveraram em suas doações mensais e aproveito para agradecer também a todos que belas mensagens de apoio enviaram-me à época em que escrevi meu último texto, pedindo ajuda. Devo muitas mensagens de agradecimento que merecem especial referência particular. Preciso agradecer a muitos amigos, virtuais e não virtuais, individualmente. Ainda os escreverei a todos. Hoje, tenho mais de 14 mil mensagens na caixa de entrada de meu e-mail. É óbvio que não poderei ler todas. Por isso, peço a gentileza de que reenviem as que julgarem indispensáveis e as de cunho particular.
Finalmente, o site será reformado e modernizado, até que, a partir de janeiro, possa estar pronto para levar a todos bons artigos e excelentes informações. Espero que 2010 traga mais colaboradores, pois o financiamento pelos leitores é a maior arma que nós da mídia podemos ter para que nosso único compromisso seja com a busca incessante pela verdade e pelas informações que são ocultadas pela grande imprensa – e olha que, hoje eu sei, muito mais por uma questão de sobrevivência do que propriamente de ideologia e/ou de posicionamento. Espero, também, que haja cada vez mais adesões para o recebimento de newsletter, para que as notícias alcancem o maior número possível de leitores. O site, em inglês, também está nos planos, para que o mundo possa nos ouvir e conhecer melhor...
Voltando ao curso, devo dizer que fui expulsa da ESG, sob a justificativa de excesso de faltas. Meus colegas de curso, entretanto, sabem, perfeitamente, que houve pessoas que faltaram mais do que eu – e não por estarem agindo em benefício da ESG, como foi o meu caso, na maior parte da vezes em que tive que me ausentar (e, no final do filme abaixo, poderão saber um pouco melhor sobre isso) – nas quais não obtive um só abono, nem naquelas em que houve apresentação de atestado médico. Fui expulsa por discriminação político-ideológica mesmo – o que eu teria facilmente admitido como total e completo direito da Instituição, se tivesse sido esse o motivo declarado oficialmente. Coisa que não aconteceu. Alguma vaga idéia da coisa toda será explicada ao final do filme que assistirão abaixo - que é longo, eu sei, merecendo, porém, ser visto com cuidado. Entretanto, há muito mais o que ser contado sobre este episódio da minha vida, cujo sofrimento só me fez ter mais certeza ainda daquilo que desejo e pelo que lutarei até o fim.
Enfim, foi por isso que fiquei sem escrever durante algum tempo, e mais algum para me recuperar de todos os golpes que me atingiram durante aquele período. O resultado, falando apenas no que veio a ser fisica e visivelmente manifestado, foi um distúrbio psicossomático que me fez reter líquidos em excesso (4 Kg de peso ganhos, em 1 mês, somente por isso), que causou feridas e coceiras nas mãos e nos pés e, posteriormente, queda excessiva de cabelos. Ainda hoje estou em tratamento.
Mas, algumas pessoas, talvez por saberem exatamente o que haviam feito comigo, convenceram-me a fazer uma tentativa não tanto radical... Assim sendo, para evitar maiores e mais e mais constrangimentos, concordei em assinar um documento no qual 'pedia' para continuar no curso, como ouvinte, mesmo sabendo que não receberia certificado no final do mesmo. Assim procedi para que não tivesse que prejudicar ninguém, e, talvez, quem sabe, para que pudesse ter a oportunidade de mostrar à turma que os ideais, a lealdade, a perseverança, a abnegação e o altruísmo fossem valores que precisassem ser cultivados e incentivados (e o são, na minha opinião), COM EXEMPLOS e ATITUDES, e não só com palavras. De que teriam valido minhas atitudes de enfrentamento, de coragem de dizer a verdade, de reagir ao que, a mim pelo menos, perecesse errado, se, na hora em que tivesse que suportar o exercício do sacrifício, eu simplesmente tivesse colocado meu orgulho, minha raiva, meu ego em primeiro lugar? Não. Eu precisava mostrar ao grupo que servir e se sacrificar pelos outros deve fazer parte da vida daqueles que têm autoconfiança, que acreditam no que fazem e no que possa haver de corajoso e de valioso nos seres humanos.
Nesse meio tempo, entre espera resposta daqui, aguarda procedimento dali, o comandante da ESG ordenara a minha retirada da Escola - sem que, naturalmente, absolutamente uma única só palavra a respeito disso me tivesse sido comunicada. O que somente aconteceu quando faltavam nada mais do que 5 dias para o término do curso.
Ao ouvir que as FFAA deveriam ser apolíticas e não ter ideologia, aterrorizada, fui obrigada a dizer que, em sendo assim, passaria a lutar para que o povo passasse a ter direito de eleger aqueles a quem permitiria portar as Armas e usar fardamentos das FFAA, já que, o mínimo que se esperava das mesmas era de que tivessem, sim, compromisso POLÍTICO e IDEOLÓGICO constitucionalmente estabelecido com a DEMOCRACIA e com a LIBERDADE, como sempre havia sido demonstrado haver na História de nossas FFAA.
Disse também ao comandante da ESG, como a mim me fora imputado, que não julgava ter cometido erro nenhum durante a aula inaugural, com as observações que fiz, porque eu penso que quem sobe ao púlpito como mestre tem a obrigação de respeitar a inteligência e o nível de informação de sua platéia, não devendo, de forma alguma, falar sobre o que não sabe e/ou dizer coisas que possam vir a ofendê-la, por parecer achar que esteja diante de pessoas que não considera inteligentes, bem informadas e capazes de raciocinar. Assim sendo, considero dever incondicional do ouvinte informar ao professor sobre aquilo que se pense, que se saiba, com boa argumentação, para que o mesmo se reoriente em relação ao rumo que deva dar à sua aula. Ou seja, quando este tipo de situação acontece, o ofendido é quem está na platéia e é quem tem o dever de informar ao mestre para que este tenha a oportunidade de transformar sua aula. Ao contrário, ofendendo, sim, ao mestre, estarão aqueles que não lhe derem essa chance, por estarem, preconceituosamente, duvidando de sua capacidade, de seus conhecimentos e por estarem lhe roubando a oportunidade de ensinar o que de melhor possa ter para fazê-lo.
Aproveitei para falar sobre a oportunidade que se perde ao não se permitir que material intelectual, especialmente os produzidos por militares, seja oficialmente comercializado, principalmente em ambientes acadêmicos, nos quais, obviamente, está concentrado o público mais interessado em assuntos que geralmente são específicos. Vender este material onde? Nas Bienais? Não me parece uma regra disciplinar inteligente. Penso que, em cada unidade militar do país, devesse haver uma loja que pudesse vender lembranças, brindes e principalmente material intelectual. Isso geraria renda, promoveria propaganda e patriotismo e poderia vir a dissipar pontos de vista pouco conhecidos sobre vários temas, já que a indústria editorial privada quase não se interessa por este tipo de literatura. Achei que seria bom deixar esse meu ponto de vista bem marcado, uma vez que havia citado, em puro instinto de defesa, que, se os princípios disciplinares, insistentemente alegados para o meu desligamento (no caso, as faltas) fossem tão inalienáveis em relação ao meu caso, também, e muito mais, o deveriam ser em relação a aqueles que deveriam dar o exemplo.
Como se isso já não tivesse sido o bastante, estes mesmos que o exemplo deveriam dar e que somente de alguns exigiam 'tanta inquebrantável disciplina regulamentar' tenham sido aqueles que simplesmente ausentaram-se do curso, acompanhados por um dos próprios estagiários, por cerca de 4 dias inteiros - o que, por si só já seria suficiente para reprovar este estagiário, também como a mim era alegado, por excesso de faltas, principalmente, se estas tivessem sido (e não foram) suas únicas ausências ao longo do curso. Por acaso este aluno viria a ser, também, retirado do curso? É claro que não - como não o foi. E nem era de meu especial interesse que ninguém o tivesse sido, na medida em penso terem todos feito o melhor que lhes estivesse ao alcance, como eu mesma o o tenha feito, para fazer um bom curso.
Da mesma forma, aproveito para dizer aos colegas que não pude comparecer ao churrasco de fim de curso, por estar em reunião com o comandante da ESG, em horário incompatível, e que, igualmente, não pude comparecer à cerimônia de formatura por estar proibida de pisar em solo esguiano. Mas, enviei alguns recados por colegas, que não sei se chegaram a ser repassados. De qualquer forma, ao ler o discurso proferido pelo orador da turma durante a cerimônia, e que suponho ter sido aprovado por todos, pude perceber que fui especialmente homenageada na parte em que dizia: “E se, em algum momento do presente ou do futuro, alguma voz dissonante, se levantar contra a Escola ou contra as pessoas honradas que aqui labutam diariamente em prol da pátria, 28 vozes uníssonas se levantarão na defesa da verdade, da honra e da dignidade com que esta casa vem desempenhando seu glorioso papel na História do Brasil”.
Gostei especialmente da precisão do número 28 – 28 vozes – o que, honesta e evidentemente, me exclui do grupo (que, comigo, era de 29 alunos), mas, ao mesmo tempo, lembra a todos de minha passagem por ele. Graças a Deus! Porque, minha voz dissonante levantar-se-á, sim, se for para o bem da Escola, para o bem do Brasil e para o bem dos que por ela passarem; se for para que os que não ajam com coragem e com empenho pelo bem da mesma nela não permaneçam; se for para que nela sejam feitas todas as mudanças necessárias a fim de que na mesma possam voltar a conviver a verdade, a justiça, a liberdade e o compromisso com a descrição honesta das realidades nacionais; se for para que psicólogos e professores que, por acaso, quem sabe, possam estar recebendo diárias anuais acima da média de todos os que por lá trabalhem, não sejam talvez os olhos e as vozes que possam estar decidindo quem fica e quem não fica na Escola; e, principalmente, se for para livrá-la de todo e qualquer aparelhamento e patrulhamento político-ideológico, pois concordo plenamente que 'esta casa', em tempos passados, tenha realmente, 'desempenhado seu glorioso papel na História do Brasil'.
Quanto à parte que fala sobre as “vozes uníssonas”... que “se levantarão na defesa da verdade, da honra e da dignidade com que esta casa vem desempenhando seu glorioso papel na História do Brasil”, fico pensando... Será que vozes que não tenham sido capazes nem de se levantar para defender ou para protestar contra o que se passava comigo, que era visivelmente injusto, por ter sido simplesmente notório o fato de que havia quem tivesse faltado mais do que eu ao curso... (Está certo, nem eu valia à pena nem a causa era tão grande e importante assim como a de uma defesa da ESG)... Mas que era uma causa tão pequena e tão próxima, serão capazes de se levantar para defender grandes causas? É que grandes causas exigem comprometimento que, certamente, resultam em conseqüências, que podem nem sempre ser fáceis de lidar... Sei que é difícil escrever discursos...
Saibam que, EM TODOS OS MOMENTOS em que estive no curso, fui, DE TODAS AS FORMAS, solidária a vocês, até mesmo quando não tinha condições, nem pessoais nem financeiras de o ser, particularmente com o orador, divulgando e defendendo suas habilidades e conhecimentos como historiador, bem como sua palestra registrada em DVD. Lamento, portanto, não ter recebido nem um único telefonema, nem um único e-mail de solidariedade de absolutamente ninguém. Certa vez, durante nossa viagem a São Paulo, surpreendi um colega de classe falando mal de minha pessoa, em voz alta, com um dos dirigentes do grupo, dentro do ônibus - o que, certamente, fez com que muitos que lá estivessem pudessem ter ouvido tais comentários. Talvez, quem sabe, possam ter-lhes dito coisas a meu respeito que, fora de contexto, tenham lhes feito fazer juízo errado a respeito do que quer que tenha feito e/ou dito, quando estive na presença do subcomandante, na do comandante da ESG e até em outras ocasiões...
Costuma-se muito atualmente dizer que sobre fatos há sempre pelo menos três verdades: a de um lado, a de outro lado e o que realmente tenha acontecido. Não concordo. Fatos são fatos e por trás deles só há uma única verdade – aquilo que realmente aconteceu. O que varia sobre um mesmo fato são as versões dos que nele estiverem envolvidos. Essas sim podem ser várias. Mas, se bem apuradas e bem investigadas, dentro de condições normais e sem trapaças, provas concretas e circunstanciais acabarão por fazer prevalecer aquela versão que mais se aproxime do que quer que realmente tenha acontecido. Verdade está relacionada a fatos, a provas; versões relacionam-se a pontos de vista pessoais sobre fatos. Jamais se deixem iludir por esta falácia que pretende relativizar a verdade, sempre com propósitos ilícitos de favorecer esse ou aquele, isso ou aquilo.
Não guardo mágoas porque quem deve julgar as pessoas é Deus e porque realmente acredito na capacidade humana de mudar para melhor... Porque é assim que eu gostaria que fizessem comigo... Porque provoca doenças... Porque considero tratar-se de pobreza de espírito... Porque simplesmente falo o que penso, na frente das pessoas e não por trás delas, o que penso tratar-se de falsa polidez, covardia e falta de amor pelo próximo - com raríssimas ocasiões em que se deva abrir exceções...
O filme acima é uma paródia sobre minha estada na ESG. Está cheio de argumentos para reflexão a respeito de nossas vidas. Espero que gostem. É longo, mas pode valer à pena. Ao final, há um texto. Na verdade, esse episódio mereceria um livro... Quem sabe não acabe transformando-se em um, já que tantos detalhes não caberiam em outro formato, para que tudo pudesse ser dito e muito bem explicado...
Da primeira cena que vi naquela Escola, que foi a do soldado Leonardo discursando, em sua despedida. Bendito foi aquele pronunciamento que se atreveu, no bom sentido, é claro, a fazer um paralelo entre um pensamento do filósofo Sócrates e um trecho de um dos Salmos bíblicos. Foi muito emocionante e muito acertado...
Do incentivador, misericordioso e brilhante discurso do Tenente Coronel Barroso para um determinado palestrante. Discurso que aplaudi de pé – sozinha evidentemente. Entretanto, ainda bem, depois das curtas palavras do emocionado palestrante, todos também aplaudiram de pé...
Da gentileza, da solidariedade e da inteligência do Sargento Alexandre... Da boa vontade do soldado Dias...
Da paciência e da sensibilidade do Tenente Coronel Esteves...
Da solicitude do Coronel Freire...
Da atenção e do apoio do Coronel Barros Moreira, embora possamos ter discordado um pouco sobre formas e meios, já no finalzinho de meu suplício naquela escola...
Do carinho e da atenção do João Paulo, por quem tinha especial carinho devido à sua semelhança com meu irmão mais novo, e a quem também admirava, principalmente por causa da sensibilidade...
Do pessoal da limpeza e do cafezinho que com tanto carinho me tratava...
Da Sra. Maria Eliza, de quem não tive oportunidade de me despedir, mas de quem, diariamente, procurava saber notícias e enviar recados de que estaria disponível para ajudar no que quer que precisasse. Não sei se ela jamais ficou sabendo disso...
Do herói rebelde, do rebelde útil, que foi o nome pelo qual passei a chamar o admirável CEL. CELESCUEKCI, do DEA, e de seu companheiro de palestras - os dois homens sérios, brilhantes e gentis... Que foram testemunhas de grosserias explícitas a mim dirigidas, mas que foram capazes de ficar ao meu lado e de, ao final do dia, deixassem, para que levasse no meu coração, palavras de solidariedade... E do passeio de helicóptero, é claro...
sábado, 25 de outubro de 2008
SUICÍDIO COLETIVO E O ASSASSINO INVISÍVEL DE SANTO ANDRÉ
Se a polícia não tivesse invadido aquele apartamento naquela altura, o mais provável é que nem Naiara tivesse conseguido ser salva. Essa é a verdade. E é verdade também que, mesmo que Lindembergue não tenha disparado contra as meninas antes da invasão do apartamento pelos policiais, o testemunho de Naiara, muito provavelmente, confirmará a versão dos policiais (a de que houve disparo por parte do assassino antes da invasão), para não permitir que haja nem uma espécie qualquer de atenuante que possa vir a diminuir a pena com a qual Lindembergue venha a ser condenado. Ele é um assassino frio que merece a pena máxima de 30 anos a ser cumprida INTEGRALMENTE em regime fechado (se é que existe esta possibilidade aqui neste país).
Chapeuzinho Vermelho (politicamente correto)
Um dia, a Mãe de Chapeuzinho Vermelho pediu que ela transportasse uma cesta de frutas sem tratamento químico, e água mineral para a casa de sua avó.
No caminho, Chapeuzinho passou por um lenhador e observou algumas flores; porém, momentos após, ela se viu frente a um lobo que lhe perguntou o que ela carregava na cesta. Chapeuzinho, lembrando-se que sua professora havia recomendado prudência quanto a estranhos que tentassem falar com ela, hesitou. No entanto, segura de si e consciente de sua sexualidade, decidiu responder ao lobo:
A MENTIRA VENCE E CORONEL USTRA É RESPONSABILIZADO, PELA JUSTIÇA, POR TORTURA.
Por Rebecca Santoro/Christina Fontenelle
PRIMEIRO, VEJAM O QUE FOI NOTICIADO PELOS JORNAIS (o grifo em vermelho, abaixo, é meu):
Ex-chefe do DOI-Codi é responsabilizado por tortura pela Justiça
Baseado em reportagem do G1
09/10/08
O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra foi responsabilizado pelo crime de tortura em um processo que buscava que ele fosse declarado responsável por atos de violência no período do regime militar. Em setembro, foi extinto outro processo semelhante movido contra o coronel por parentes do jornalista Luiz Eduardo Merlino, morto em 19 de julho de 1971. Na decisão julgada procedente, ele foi considerado responsável por violências cometidas contra César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida.
Inédita no país, a decisão foi proferida nesta terça-feira (7) pelo juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível, do Fórum João Mendes, no Centro. No entanto, cabe recurso da defesa. Tanto no processo movido pela família Teles quanto no caso dos parentes do jornalista, Ustra não é alvo de pedidos de indenização.
Ainda em 2006, quando um dos processos começou a ser julgado, Amélia já afirmava que a família não buscava indenização do Estado ou prisão. "É uma ação de efeito político, que vai trazer reconhecimento de que um coronel do Exército, na época major, era torturador", explicou Amélia na ocasião. Mas, as ‘vítimas’ já foram indenizadas pelo Estado, como se poderá ler abaixo, de acordo com a lei de Indenização. Além disso a sentença estabelece que, ao ser apontado como o responsável pelas torturas, o “réu arcará com custas, despesas processuais e honorários dos advogados dos autores, fixados estes em dez mil reais.”
Para o juiz, “existe relação jurídica de responsabilidade civil” entre as vítimas e o réu “nascida da prática de ato ilícito, gerador de danos morais”. Já em relação a Janaina de Almeida Teles e Edson Luis de Almeida Teles, filhos de César Augusto e Maria Amélia, o juiz considerou improcedente a acusação de que também teriam sido torturados. “Realmente, as testemunhas não viram Janaina e Edson na prisão. Ninguém soube esclarecer se os então menores realmente viram os pais com as lesões resultantes das torturas. Nada indica que eles teriam recebido ameaças de tortura, ou sido usados como instrumento de tortura de seus pais”, alegou.
O militar é ainda réu em outra ação declaratória no Fórum Cível da capital paulista. Além disso, ele sofre um terceiro processo na Justiça Federal, que apura seu suposto envolvimento em seqüestros e espancamento de militantes de organizações clandestinas.
O advogado de defesa de Ustra, Paulo Esteves, disse que vai apelar da sentença, que, segundo ele, vai contra as provas dos autos. "Inclusive, temos provas de que o meu cliente estava hospitalizado, devido a uma operação, no período que as pessoas alegam terem sido vítimas de violência. Ele (Ustra) nega que tenha participado de qualquer ato de violência naquela época", disse. Para o advogado, a sentença desta terça colide com outra da Justiça em um processo que foi extinto no final de setembro. No dia 23, os três desembargadores da 1ª Câmara de Direito Privado decidiram a favor do recurso impetrado pelo coronel e, por maioria – ou seja, dois votos a um –, extinguiram o processo sem exame do mérito. A decisão foi do relator Luiz Antonio de Godoy, do 2º juiz De Santi Ribeiro e do terceiro desembargador Elliot Akel. "Antes da sentença deste processo, pedi que aguardassem a publicação do acórdão do processo anterior (de setembro). O tipo de medida jurídica é a mesma, o advogado é o mesmo nos dois processos, só mudam as vítimas. Naquele processo, o juiz entendeu que não havia fundamento processual para que o meu cliente pudesse ser julgado", explicou.
Apesar da sentença do Tribunal de Justiça, o julgamento foi apenas moral e político, já que Ustra foi beneficiado pela Lei de Anistia, de 1979, que impede que pessoas que tenham cometido crimes políticos na época da ditadura sejam processadas.
AGORA, LEITORES, VEJAM OS FATOS ABAIXO:
RECORDANDO
Christina Fontenelle
19/10/2006
Criméia era mulher do filho do chefão da Guerrilha do Araguaia, Mauricio Grabois, e que ela estava na área de guerrilha quando ficou grávida. Ao contrário das outras guerrilheiras, que eram obrigadas a abortar, Criméia, protegida pelo comandante da área, foi mandada para São Paulo para ter o filho, onde acabou sendo presa e encaminhada para Brasília. Segundo o relato do coronel, foi lá, no Hospital Militar, que Criméia teve seu filho, com todo apoio e assistência, inclusive, da esposa do General Bandeira que, na ocasião, levou-lhe um pequeno enxoval.
Hoje um adulto, esse filho de Criméia, de nome Joça Graboi (cuja mãe havia optado por ser guerrilheira e cujo pai nem ao menos acompanhara a mãe grávida para que tivesse o bebê
“Maria Amélia (irmã de Criméia) e o marido foram presos em um “aparelho de imprensa” do PCdoB, em dezembro de 1972. Na ocasião, estavam com eles os dois filhos do casal. Todos foram conduzidos para o DOI, já que as crianças não poderiam ficar sozinhas. Quando falei com os pais, senti que estavam preocupados quanto ao destino dos seus filhos. Perguntei se tinham algum parente
Consideração Talvez, Reconhecimento Nunca
Christina Fontenelle
19/10/2006
Os militares das FFAA devem estar tremendamente agradecidos à homenagem que o programa dominical da TV Globo, o Fantástico, prestou neste último domingo (15/10) a todos aqueles que, ganhando um salário bem inferior ao que deveriam, levando-se em consideração a sua formação, o tipo e a carga horária de trabalho, estiveram e ainda estão trabalhando incessantemente, no meio da floresta amazônica, para trazer de volta os corpos das vítimas do acidente aéreo com o avião da Gol (vôo 1907), para que os familiares possam enterrar seus mortos.
Estiveram lá os militares, no local do acidente, levando dois padres e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, para a qual improvisaram uma capela. O Fantástico mostrou as imagens. Aliás, imagens do trabalho destes homens é que não têm faltado. Em “off” a gente sabe que faltaram melhores equipamentos; que o pessoal da Aeronáutica é que teve que assumir o tratamento com os parentes das vítimas, já que houve problemas no relacionamento dos mesmos com o pessoal relativamente novo da ANAC; que o governo não investiu e mal liberou verbas para a manutenção adequada dos equipamentos, tanto para os serviços de controle aéreo quanto para as FFAA em geral; mas, enfim, o que interessa é que os militares têm sido incansáveis nesse episódio trágico da história da aviação brasileira.
Nada mais oportuno, portanto, do que a consideração e o reconhecimento demonstrados pela Rede Globo ao levar ao ar, também no Fantástico o tema “Relações de Poder”, apresentado no quadro semanal de lavagem cerebral (já que não há direito a réplica de opiniões em contrário) - “Ser ou Não Ser” – que pretende popularizar a filosofia. A inserção, com roteiro de Daniel Rocha, tem cerca de 9 minutos e é apresentada por sua mulher, Viviane Mosé, que é psicóloga, psicanalista, doutora em filosofia pela UFRJ e escritora. Publicou, entre outros, os livros de poesia “Escritos” (1990), “Toda palavra” (1997), “Pensamento chão” (2001) e mais recentemente “Desato”, no qual admite ter vivido a experiência da poesia do dia-a-dia, em que receitas culinárias transformam-se
Qual é a maior mentira que você já contou? Ainda não sei muito bem a diferença entre mentira e verdade.
Qual é seu maior sonho? Um país chamado Brasil. Acredito muito nisso.
E seu maior pesadelo? O acirramento da violência urbana, levando a um confronto aberto entre a polícia e o crime organizado.
Em quem você daria uma surra? No Lula.
Religião... Nenhuma.
Última compra... Um vestido da Corpo e Alma e uma jóia.
A senhora, que pode comprar jóias e roupas em lojas caras, muito ao contrário dos militares que critica e parece detestar, escolheu como pano de fundo, para falar de “relações de poder”, o que ela chama de “um dos períodos mais sombrios da nossa história: a ditadura militar”, pretendendo levar a audiência a refletir sobre “de que maneira as relações de poder deixam marcas no nosso dia-a-dia”.
Cintando Michel Foucault, filósofo francês, a matéria diz que “o poder não é uma coisa, nem uma propriedade” e que “não está localizado somente no governo, nem no estado”, mas por toda parte, já que “em todos os lugares, em todas as classes sociais, há sempre relações de poder. Mesmo que não pareça”.
Bem, historicamente, e isto pode ser comprovado por todos os jornais da época (já que a filósofa sugere que não nos prendamos aos livros de história (1)), o golpe militar, na realidade, foi um contra-golpe, ou seja um golpe para desorquestrar outro golpe que pretendia conduzir o Brasil ao comunismo. É simples assim – o resto é tergiversação. É verdade quanto à repressão, mas faltou dizer contra quem – um mero detalhe. Houve repressão e reação ao terrorismo comunista e a todos que com ele colaborassem ou acobertassem. Era uma guerra, onde os terroristas mataram civis, assaltaram bancos e estabelecimentos comerciais, seqüestraram personalidades estrangeiras que aqui trabalhavam, torturaram e assassinaram seus oponentes, sempre que houve a chance de fazê-lo, e ainda praticaram atos de traição e justiçamento contra seus próprios aliados. Tudo em nome da causa comunista ou de suas próprias (como podemos ver o que fizeram muitos deles, hoje, depois de terem chegado ao poder). Jamais pegaram em armas, por um minuto sequer, como hoje já foi reconhecido publicamente por muitos deles, para lutar pela democracia republicana brasileira.
Qualquer semelhança com o que hoje acontece hoje no Brasil não é mera coincidência. A atuação do crime organizado, ligado a grupos terroristas internacionais, ao narcotráfico e ao contrabando de armas e mercadorias; os seqüestros para conseguir dinheiro e espaço na mídia (vide repórter e cinegrafista da Globo); a punição dos delegados de polícia federal que atuam dentro da lei, com afastamentos dos casos que investigam, com transferências de local de trabalho e até com ameaça de expulsão da PF; a demissão de profissionais da mídia, bem como o cerco econômico aos veículos de informação que não sejam alinhados ao governo – nada disso é coincidência, não. É estratégia mesmo e muito bem conhecida.
“Mas como ele (o poder) se manifesta?”, pergunta a apresentadora. E continua: “Associamos o poder à punição, ao castigo. Até o fim do Século 18, era comum o poder ser exercido por meio da força física, da dor. Era o que acontecia no ritual do suplício - uma cerimônia pública, em que um criminoso era torturado até a morte. O suplício era uma prova de força, a manifestação do poder político do rei. Foi o que aconteceu no Brasil com Tiradentes, o líder da Inconfidência Mineira, que foi enforcado e esquartejado para servir de exemplo aos que ousassem desafiar a coroa”.
Bem, eu diria que há exemplos bem mais recentes que poderiam ter sido utilizados na produção de Viviane. O que aconteceu com o caseiro Francenildo (caso Palocci) é um deles; outro é o ocorreu com o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno, que foi afastado da investigação sobre a compra do falso dossiê Vedoin e que entregou, na marra, aos brasileiros as imagens do dinheiro da “maracutaia”. Estes são apenas dois dos casos que poderiam ser falados porque são de domínio público. É verdade que no caso deles não houve morte e nem tortura física, mas há suspeitas de que já houve sim recentemente pessoas que morreram para não “abrirem a boca”, pelo menos 10 delas.
“Designar os focos de abuso de poder, falar deles publicamente, nomear, dizer quem fez, é uma forma de luta... Se o poder está em todos os lugares, como diz o filósofo, todo gesto de resistência, por menor que seja, atua na grande rede que guia nossas vidas”.
Concordo. E é por isso que estou escrevendo sobre o “Ser ou Não Ser” do dia 14 de outubro. É meu pingo d’água para apagar o incêndio na floresta.
Intercalados por imagens e citações reflexivas da apresentadora, depoimentos das “vítimas da ditadura” – ex-guerrilheiros e alguns de seus descendentes. A impressão que se tem quando essas pessoas falam de si mesmas é a de que sempre estiveram em casa, ouvido rádio, cozinhando, trabalhando normalmente ou coisa que o valha, quando foram surpreendidas, um belo dia, sem mais nem menos, por uma tropa de choque que os levou presas, apenas porque elas fossem democratas – como a SS nazista que levava os judeus por serem judeus.
Criméia Almeida, ex-guerrilheira do Araguaia, foi uma das vítimas mostradas na matéria. Ela foi presa por causa do seu envolvimento com a luta armada: “mesmo grávida de oito meses, não foi poupada” diz a apresentadora. E continua: “Ficou 20 horas em trabalho de parto, na cela, sem qualquer ajuda, até que seu filho nasceu no Hospital do Exército”.
“Sabe o que eu pensava na hora do parto? Puxa, eles prendem, matam e as pessoas estão nascendo, né? Eles não são capazes de segurar tudo...”, disse Criméia, depois de ter dito, também, que o ódio lhe dera forças para viver: “O ser humano é incrível no seu limite. À medida que eles torturavam, que eles matavam, um sentimento para mim ficou muito grande: de ódio. E esse ódio também me deu força, porque existem certas coisas que a gente tem que odiar para o resto da vida”.
Caso se tratasse de uma apresentação com um mínimo de honestidade jornalística (o que evidentemente não foi o caso), algumas informações não poderiam ter sido sonegadas, sob pena de induzir o telespectador a conclusões erradas, inclusive sobre o próprio tema - relações de poder. Hoje, por exemplo, a palavra dos ex-terroristas têm mais poder sobre as comissões de anistia, sobre as ONGs, sobre a mídia e, conseqüentemente, sobre a opinião pública do que todas os possíveis testemunhos em contrário que ousem desmenti-la ou defender aqueles que livraram o país da tragédia comunista. Portanto, uma relação de poder bem mais polarizada e bem mais complexa, já que envolveria armas como a mentira, a omissão e o patrulhamento.
As informações sonegadas pelo Fantástico são públicas – estão registradas em livros e podem ser encontradas facilmente na internet. Infelizmente jamais foram divulgadas nos meios de comunicação de massa, nas escolas ou nas universidades (novamente um bom exemplo de “relações de poder” desequilibradas). Algumas delas estão numa entrevista concedida ao site Mídia Sem Máscara pelo coronel da reserva do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou, quando era major da ativa, o DOI/2ª/II Exército,
Na entrevista, o coronel Ustra diz que Criméia era mulher do filho do chefão da Guerrilha do Araguaia, Mauricio Grabois, e que ela estava na área de guerrilha quando ficou grávida. Ao contrário das outras guerrilheiras, que eram obrigadas a abortar, Criméia, protegida pelo comandante da área, foi mandada para São Paulo para ter o filho, onde acabou sendo presa e encaminhada para Brasília. Segundo o relato do coronel, foi lá, no Hospital Militar, que Criméia teve seu filho, com todo apoio e assistência, inclusive, da esposa do General Bandeira que, na ocasião, levou-lhe um pequeno enxoval.
Hoje um adulto, esse filho de Criméia, de nome Joça Graboi, também participou do programa: “Eu acho que as pessoas têm as opções, as pessoas fazem as escolhas, sejam certas ou erradas. Agora, eu não tinha feito nenhuma escolha. Eu não tinha nem nascido ainda. Então, isso é uma coisa que me incomoda”.
Baseado neste incômodo, Joça Graboi, (cuja mãe havia optado por ser guerrilheira e cujo pai nem ao menos acompanhara a mãe grávida para que tivesse o bebê
As outras vítimas mostradas na matéria do Fantástico são também da família de Criméia: a irmã, Maria Amélia, o cunhado César e os filhos do casal, Janaína e Edson. Os dois, respectivamente com 5 e 4 anos à época em que os pais foram presos, disseram que nunca se esqueceram do dia em que os militares os levaram para ver os pais. Segundo eles, Amélia e César, haviam passado por uma sessão de choques e espancamento.
“Eu me lembro de uma mulher me chamando pelo nome, e eu reconheci a voz como a voz da minha mãe, mas eu olhava para ela e via que não era o corpo dela. Por quê? Ela estava com o corpo desfigurado. Ela estava ensangüentada, esverdeada de levar pancada”, conta Edson.
“Lembro quando a gente entrou na 36ª Delegacia, e lembro quando a gente entrou num corredor muito escuro, e no fundo tinha uma cela muito escura, onde meus pais estavam. E eles estavam, assim, totalmente estáticos, não conseguiam se mexer”, recorda Janaína.
“Eu estava amarrada, nua, urinada, toda suja, humilhada e eles levaram para os meus filhos me verem desse jeito”, indigna-se Amélia.
O outro lado da história você, leitor, já pôde conferir mais acima.
“A ditadura feriu a alma do povo, e acho que feriu no que nós tínhamos de mais bonito, que era a generosidade e a solidariedade” disse Amélia, no Fantástico. “E aí, então, eu pensava assim: ‘Eu tenho que denunciar o que é feito com as pessoas. Eu vou sobreviver’”, diz Amélia.
Maria Amélia sobreviveu, mas levou 34 anos para fazer as denúncias que dizia ser preciso. Coincidentemente, tomou a decisão justamente no período em que se dá a farta distribuição indenizatória pelo Estado brasileiro que, com o dinheiro público, já comprometeu a inimaginável quantia de mais de 3 bilhões de reais com o pagamento de indenizações a ex-terroristas e a seus descendentes. Vale dizer que, não foram nem uma nem duas vezes que circulou a informação de que entre os que se beneficiam das percentagens sobre as indenizações concedidas estariam os escritórios de advocacia do deputado Luiz Eduardo Greenhald (PT-SP) e o do ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.
Como não poderia deixar de ser, e ao contrário do “Ser ou Não Ser” do Fantástico, em pretendendo sempre ouvir os vários lados sobre um determinado tema, faço saber o e-mail enviado pelo deputado Greenhald à um blog da internet – Capoeira Internet – sobre o assunto:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
“Em relação à mensagem caluniosa e injuriosa contra mim que vem circulando de forma irresponsável pela Internet, venho esclarecer que:
Não represento “todas” as causas de pedido de indenização das vítimas da ditadura militar. Foram protocolados na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça 50.637 processos, dos quais menos de 300 são representações apresentadas pelos advogados do meu escritório de advocacia. Jamais recebi um centavo, em honorários ou “taxa de sucesso”, por representação das pessoas que buscam essa indenização. Nem eu, nem os meus colegas de escritório... Não é com os injustiçados pelo regime militar ou vítimas de sua brutalidade que obtive ganhos materiais, a não ser a satisfação de ser partícipe de um processo de reparação histórica, o qual considero necessário para que os horrores do regime militar de 64 não se repitam... Por fim, informo que requisitei à Polícia Federal, através de representação criminal, o rastreamento e a identificação do autor ou autores da mensagem apócrifa e difamatória, para subsidiar queixa-crime junto ao juízo competente”.
Vale dizer, entretanto, que as vítimas dos atentados terroristas não estão tendo a mesma atenção de gente tão caridosa e tão preocupada em fazer justiça como é o caso do deputado Greenhald, segundo suas próprias palavras acima citadas.
Orlando Lovecchio Filho, por exemplo, que perdeu uma perna e viu morrer o sonho de ser piloto da aviação civil, quando, ao passar na calçada em frente ao Consulado Americano de São Paulo, no dia 19 de março de 1968, foi atingido pelos estilhaços espalhados com a explosão da bomba que fora colocada no portão do Consulado por terroristas. Orlando foi, segundo o próprio, “emocionalmente torturado” pelo Estado até que conseguisse uma indenização.
A luta começou em 1992, quando o terrorista Sergio Ferro (então já um renomado arquiteto e artista plástico) confessou, numa entrevista à Folha de São Paulo, ter colocado a bomba no portão do Consulado. Orlando processou Sérgio, mas perdeu. Então, desde 1995, com a edição da Lei 9.140, ele passou a pedir indenização do Estado. Foram 9 anos de penitência até que finalmente, em 2004, fosse agraciado com o que o Estado achou por direito conceder: pensão especial, mensal e vitalícia, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), personalíssima e que não se transmitirá aos herdeiros do beneficiário. “As importâncias pagas serão deduzidas de qualquer indenização que a União venha a desembolsar em razão do acontecimento e o valor da pensão será atualizado nos mesmos índices e critérios estabelecidos para os benefícios do Regime Geral da Previdência Social”, diz a Lei.
O presidente Lula, por exemplo, recebe uma pensão especial para “anistiado político", de R$ 4.294,00, concedida em 1996. O líder do MLST e amigo de Lula, Bruno Maranhão (que até hoje não respondeu pela invasão e quebra-quebra do prédio do Congresso Nacional) foi agraciado com uma indenização que perfaz um total indenizável de R$ 2.160.794,62 (isso mesmo: dois milhões, cento e sessenta mil, setecentos e noventa e quatro reais e sessenta e dois centavos), nos termos do artigo 1º., incisos I e II c. e artigos 4º., § 2º., e 19 da Lei nº. 10.559 , de 2002, assinada pelo ministro da Justiça MÁRCIO THOMAZ BASTOS.
O caso da indenização aos pais de Mário Kozel Filho também merece ser mencionado. Ele prestava o serviço militar obrigatório, como soldado, quando perdeu a vida num atentado ao Quartel General do II Exército,
Ao contrário, os terroristas que cometeram o atentado, Diógenes José de Carvalho Oliveira, Waldir Carlos Sarapu, Wilson Egidio Fava, Onofre Pinto, Edmundo Coleen Leite, José Araújo Nóbrega, Oswaldo Antonio dos Santos, Dulce de Souza Maia, Renata Ferraz Guerra de Andrade, José Ronaldo Tavares Lima e Silva já estão todos (ou suas famílias) muito bem recompensados, com gordas indenizações e/ou pensões.
Finalmente, o quadro sobre “Relações de Poder” vai aos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social, o Dops, de São Paulo e conversa com o responsável Fausto: “Isso aqui são os olhos do regime, né?”... “Um sapateiro, uma pessoa que num boteco de esquina falou mal da ditadura, ou falou mal de um político, e foi fichado”... “Esses arquivos retratam a vivência dessas pessoas... que, apesar de comuns, eram capazes de gestos de extrema grandeza”.
Em se tratando se tergiversar e de “abocanhar” grandes indenizações, põe grandeza nisso!
Bem, eu resolvi escrever sobre isso porque talvez possa ajudar a algum curioso que procure informar-se, pelo menos um pouco mais detalhadamente, sobre a anistia, sobre o revanchismo, e até sobre “as relações de poder”. Infelizmente sei que será mais um daqueles protestos que serão pouco lidos, pouco divulgados e que jamais chegarão ao conhecimento da imensa maioria dos brasileiros. Hoje em dia, as crianças não dizem mais “na época do Governo Militar”, elas dizem “na época da Ditadura Militar” (assim mesmo, com letra maiúscula e oficialmente denominada em livros, revistas, jornais e na TV). E assim será... sabe-se lá até quando...
(1) Trecho da matéria do Fantástico: “O conhecimento deve estar sempre ligado à história. Não à história oficial, dos livros, que em geral desvaloriza e desqualifica as lutas das pessoas comuns, e sim à história dos combates esquecidos, de nossos heróis anônimos”.
Não Tem Conversa
Certa vez, houve um filme em que os oficiais hierarquicamente inferiores ao comandante de um submarino o destituiram do comando por traição à pátria, mas, por pena, alegaram que teria sido por insanidade. Eles demoraram a perceber as maléficas intenções do comandante. Mas, chegou uma hora em que suas consciências não puderam mais suportar o que ia ficando cada vez mais difícil de encobrir ou de justificar: tiveram que optar entre a cumplicidade na traição e a desobediência heróica. Optaram pela segunda alternativa. Os homens eram norte-americanos e a pátria os EUA. Pode-se falar muito mal desse "império". Muita coisa, acredito eu, até por inveja. Mas, não se pode negar: militares americanos jamais condecoraram aqueles que um dia, por ventura, estiveram em luta contra eles ou contra os EUA - no máximo, cumpriram acordos de paz. Não houve "Little Boy", "Fat Man", Vietnã ou Cambodja que tenham sido capazes de destruir a imagem que os americanos têm de seus militares. Ao contrário, é tradição americana protestar contra guerras e contra governos que maltratem seus soldados.
No Brasil, menos de mil pessoas morreram, desapareceram ou foram feridas, de um lado e de outro, na guerrilha fratricida que pretendia instalar a ditadura comunista no Brasil. Derrotados, os comunistas guerrilheiros deixaram o país. Anos depois, graças a anistia ampla, geral e irrestrita, retornaram à terra natal, muitos deles com a finalidade de dar continuidade aos planos comunistas interrompidos pela derrota. Continuidade essa que nunca deixou de ser dada, internamente, pelos companheiros que aqui ficaram cuidando do aparelhamento ideológico da mídia, das escolas, das universidades, das repartições públicas.
Quem teve, agora, a oportunidade de ler a confissão “estratégico-mentirosa” do marqueteiro João Santana na campanha presidencial do PT pôde perceber que a companheirada é capaz de qualquer coisa sim para obter aquilo que deseja. A Ação movida na Justiça contra o coronel da reserva do Exército, Brilhante Ustra, segue o mesmo padrão de raciocínio e de conduta por parte de guerrilheiros comunistas. Mentem, mentem e mentem, ainda em nome da causa – porque gordas, injustificáveis e imorais indenizações do Estado já conseguiram.
Não tem conversa. Se o coronel tiver que se retratar diante dos terroristas, a Justiça terá que exigir o mesmo de todos aqueles que praticaram assaltos, assassinatos, justiçamentos, seqüestros e atentados terroristas contra cidadãos e contra o Estado brasileiros. Entre eles, alguns hoje nobres cidadãos, como Fernando Gabeira. Coloco um ponto final antes de continuar a lista, para não misturar “alhos com bugalhos”, mas ela continuaria, imensa, com nomes como José Genoíno, Dilma Russef, Waldir Pires, José Dirceu, etc.
O jornalista Reinaldo Azevedo falou sobre esse assunto
Christina Fontenelle
13/11/2006
E-MAIL: Chrisfontell@gmail.com

